sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Os Estágios de Um Luto Anunciado, a.k.a COMMITTED?! WTF?!

Enquanto eu me preocupava em não me apaixonar, o mundo girou e eu não vi. Sabe o que mais me emputece? É ter acreditado num discurso que era meu - o qual nem mesmo me convencia, quando dito por mim - simplesmente porque ele saía da boca de outra pessoa.
Trouxa. Burra. E nas palavras de qualquer um que me conhece, tudo isso toma a forma de uma solidariedade desnecessária: "Ah, no fim das contas você era boa demais pra ele". Isso é quase como desejar os pêsames a um coração partido, isentá-lo de 'culpa' quando o assunto é (vejam só!) se interessar por alguém que preste pra algo além de três dias de foda.
Eu só não esperava isso... Ou melhor, esperava, mas, preferi fingir que não via o caminho que começava a se mostrar pra mim.

'Saudades.', você diz.

Pois eu digo que se sente saudades agora, imagine quando se der conta do que quebrou, do que perdeu, do que estragou.

P.S. And don't you ever dare to think I'll be your booty call, you asshole.
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Este post é patrocinado pela C&A: Abuse, use.

Prestação de Conta

Senhoras e senhores, interrompemos nossa programação normal para transmissão do horário apolítico.
Voltamos em... Ok, não esperamos voltar mais.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Challenge #1

A pequena Sophie não reclamava, mas, seu rostinho mostrava sua dor e o esforço que fazia para parecer forte. Não havia sido nada demais: seguia uma joaninha no quintal quando tropeçou, arranhando o joelho. Ainda assim, veio correndo e sem fazer um som sequer apontou para os riscos em sua perna, como um soldado pediria a amputação: resignada e corajosa.

Era tão dramática... Tão docemente dramática!

Feridas já limpas, gaze e esparadrapo sobre as pequenas escoriações, com um beijo na testa, dado pela mãe, e um cubo mágico entre os dedos, saiu do quarto devagar qual uma nuvem de fumaça. Na mesma lentidão, tal lembrança se esvaiu de mim.
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Era estranho pensar que o rosto alegre na foto fora meu, que a minha infância fora assim feliz. Ficava ainda mais estranho se a constrastássemos com a minha adolescência, se analisassemos aquela luz contra a escuridão mórbida da minha juventude.
Se, de alguma forma, os traços daquele rosto lembravam os meus, podiam ser também os de qualquer outra - de olheiras menos profundas e futuro mais brilhante.
Não. Definitivamente, já não me reconhecia mais ali.
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Lembro-me bem, daquilo que sobre mim se dizia na minha cidade natal, em diferentes idades...
Até os treze, ouvia-se:
"Ela é linda, não é? E tão inteligente... Vai ser o orgulho da família."
Dos treze aos dezessete:
"É tão linda quanto, hm, distraída, essa garota. É tão vívida e dá-se com todos. (Acrescente malícia ao tom de voz. Nem quando ainda inocente perdoavam meus futuros 'crimes') Mas é tão sem juízo.Sabe, ouvi dizer dela com o filho do vizinho. Vai dar trabalho a família..."
Dos dezessete até hoje...
"Largou-se, a menina dos Gutierrez. Se viu na vida cedo demais e tanto fez, que levou o pai desta para os braços de Deus. (Pausa dramática. Sinal da Cruz. Porque eram todos muito cristãos, aqueles putos pecadores...) Sempre soube... Desde o berço já se sabia que pra muito não iria prestar. Só fez trazer desgosto aos pais, a criança. E não lhes culpo... Há uns que nascem já com isto entranhado em si."

E repare então você, meu leitor, em uma coisa; quantas linhas gasta-se para elogiar? E para pôr em dúvida? E para condenar?!
 Chamam-me de subversiva por lá, mas, foram eles quem subverteram as coisas. Os negócios, os casamentos, os filhos, os amores e até a lei do Cristo. Afinal das contas...
'Aquele que nunca pecou, que atire a primeira pedra.'
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Acordei na cama de Ian com alguém que não conhecia acariciando minha tatuagem, com a ponta do indicador. Abri os olhos e sorri ao estranho, estendendo-lhe a mão - vi que não era má figura, já sem saber se era um cliente ou um amigo qualquer.
- Ian me disse que não se lembraria, então... - O estranho apertou minha mão e retribuiu o sorriso, meio sem jeito. - Sou Lars e sou primo do Ian.
- Ah, que bom, Lars! - suspirei aliviada - Pra ser sincera não queria mesmo trabalhar hoje... Me chamo Sophie.
- Eu sei. Ele foi fazer o café pra nós e...
- Nós transamos?
Só me dei conta de que o tom casual da pergunta o havia constrangido quando vi seu rosto branco ficando vermelho.
- Ah, sim. Quer dizer, não. Não transamos, já percebi.
Seguiram-se alguns segundos de riso sem graça e silêncio constrangedor, ao que, para quebrar o gelo, Lars perguntou:
- O que quer dizer sua tatuagem?
Eu sabia que, algum dia, ia preferir não ter contado a verdade, mas, não quis mentir. Eram 07:15 da manhã, estava cedo demais pra isso. Disse-lhe, no tom mais simples e inocente que pude:
- É latim. Um ensinamento de família... 'O amor mata.'
- Hm... É uma bela lição, uma bela frase.
- Não. - Disse amargamente, talvez mais pra mim do que ao visitante. - É uma lição necessária, só. Acredite; não há beleza alguma em seu sentido literal.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

The Girl Who Loved Yngve

Eu não o achava tão interessante até conhecê-lo. Não é especialmente bonito, não diz coisas especialmente inteligentes, nem compartilha dos meus gostos mais profundos.

Entretanto...

Entretanto, fala o que pensa e só o que pensa. Bem sei que não fala tudo o que pensa, mas o que fala é bastante sincero e me cativa - mesmo as coisas mais tolas. Além do mais, quis ter minha meia hora de privacidade e conversas com ele, o que quer dizer que, gratuitamente, me confiaria a ele.
'Ponto pr'aquela gracinha de rapaz!', diz a velha senhora.
Não posso deixar de lhe sorrir em concordância. Yngve* marcara mesmo alguns pontos e eu posso até vê-lo assistindo filmes comigo.
Porque, notem ou não, é disso que eu preciso: amigos e filmes.

* Os nomes foram alterados para fins de... Hm, sei lá, sobrevivência.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

@ Dance, Dance, Christa Paffgen, do Anberlin

Tem uma coisa relativamente engraçada na minha doença. Se fizéssemos um teatro de marionetes para interpretá-la, a protagonista seria a minha vontade de não me tratar. Porque quanto mais longe do tratamento eu estiver, mais perto da cura eu fico. E por cura, eu entendo não viver mais dia algum na doença. Nem na sanidade.
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15 de fevereiro. Hoje completam dois anos. Se você já tocou alguém que ama de verdade, se já beijou, se já desejou e viveu o desejo, sabe do que eu estou falando.
Eu ainda te amo. E, na verdade, nunca vou deixar de amar.
P.S. Eu até hoje lembro da quantidade de pessoas, mas, especialmente da cara do segurança. Impagável. E eu ri, porque eu te amava tanto e estava tão feliz... Ele nunca entenderia aquilo.

@ Carnavália, dos Tribalistas.

Eu sou fã da poesia crua. Veja bem, nada disse de poemas, mas, de poesia - e essa segunda se vê em todo lugar.
E, logo eu, dela tão amante, a tenho abandonado por muito pouco. Não sei quando meus olhos se fecharam; só sei que não a vejo mais. Se por um lado não a vejo, por outro há tanto que não quero ver e segue meus olhos.
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Manoel Carlos é um babaca. Quer enfiar poesia no cu da merda e fazer o Brasil engolir. Ciclotimia não é legal, Maneco. Não é bonita. Na vida real, o Rodrigo Hilbert não vai virar pra mim e dizer 'Você é ciclotímica' como quem avisa de um borrão na maquiagem. Talvez, com a Reversal Russa, mas, não aqui.
E, se ainda assim, você achar ciclotimia algo dulcíssimo e sutil, Manequinho, então enfia seu achismo no cu, junto com a minha fase distímica.