domingo, 26 de setembro de 2010

O Coletivo

Somos sutis. Mentimos por vício e por conveniência. Tomamos a escolha certa, ainda que nos minutos finais. Odiamos surpresas. Amamos controle. Carregamos nosso perigo dentro de nós mesmos. Apreciamos a elegância que não temos. A festa está em todo lugar, se quisermos. Temos esqueletos em nossos armários. Por sinal, já não moramos mais lá. Acreditamos que não haja nada de contraditório na ideia de um 'hardcore soft-porn'. Arriscamos muito, apostamos alto e jogamos mal. Ainda assim, jogamos melhor do que alguns de vocês. O rock é nossa origem, o pop, nosso 'guilty pleasure'. Sabemos que não é bom se jogar de cabeça na vida, por isso, mergulhamos de barriga mesmo. Achamos gatos animais muito arrogantes. Identificamo-nos pessoalmente com os mesmos. Somos o resumo de toda a arte e toda a esquisitice, um coletivo muito pouco revolucionário para as armas que tem.

Jornal Nacional - Edição Urgente

Boa noite.

Meu PC está fazendo barulhos escrotíssimos; suponho ser defeito de ventilação. A Sasha Grey é brasileira e bonita mesmo, como a Carol disse. Eu estou puta e frustrada, por ter recebido um não. Não gosto de nãos, principalmente, quando eu me esforço pelo sim. Mas, incrivelmente, estou tranquila, pelas coisas que eu nem sabia que existiam e que preciso preservar.

- Boa noite, Fátima.
- Boa noite, William Bonner.

[/musiquinha do JN]

sábado, 25 de setembro de 2010

Sobre Aquele Assunto Inacabado...

Ser um número na sua vida me incomoda. Não que você não o seja para mim; a diferença entre nós dois, é que eu uso o código binário para contar a minha história e você é um amontoado de letras, onde os números têm pouca ou nenhuma importância. Como muitas coisas a seu respeito, as quais suporto apesar de não me agradarem, faço que não me importo, faço que sei lidar, mas, não sei e ambos sabemos disso.
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Piano, piano, piano, piano.
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E você? Semi-ânime, tão mais vivo do que eu. Se faz de morto só pelo prazer de ser tocado, buscado, desejado desesperadamente, como eu o faço por você. Em algum momento, isso não vai mais ter graça para mim e você terá sido outro dos meus erros. Eu sei algumas das muitas coisas que pensa a meu respeito, majoritariamente nada lisonjeiras, de uma maneira que, se não fosse o ano de nascimento inscrito na sua identidade, eu diria ser inocente. Mas, você, que sabe se retesar e fazer de adulto tão bem, não consegue lidar comigo sem me esconder atrás de todos os defeitos que vê em mim. Você quer coisas para as quais não sabe se está pronto, eu acho, e por trazer algumas dessas coisas comigo, eu sou um ótimo ensaio para a vida futura, não?! A questão é que, na minha própria vida, não sou um ensaio, mas a peça, a ação acontecendo e cada erro que você me faz cometer é um ápice dramático para a exigente platéia dentro da minha cabeça assistir.
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Eu sou menos forte do que supõem, não há razão para me provarem tanto assim.
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E quanto aquela que tanto revolucionou em mim, sempre haverá tempo e espaço para nós duas, em algum lugar deste mundo.
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Êee, pequeno... Juízo, amor, juízo. Minhas palavras, meus sentimentos e meus pensamentos são para você, portanto, cuida do que é meu que eu cuido da sua amiga.
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Piano, piano, piano, piano, pra acabar.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

E Se Não Há Regras...

Isto não é uma exceção.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

@ Trouble, do Coldplay

Consciência deveria ser o antônimo de imaturidade no dicionário, porque é assim que se classificam dentro de mim. São tantas as situações em que contrastam e tantas as em que me sinto perdida por causa desse antagonismo... Sei que alguns traços meus são pura infantilidade e assumo isto, o que, por consequência, me tornaria mais madura do que uma boa parte das pessoas. No entanto, sabê-lo não significa anulá-lo, então, estou imersa em infantilidade de novo e mais sem chão do que nunca. É como a distância entre boas intenções e boas ações, imensa, mas, que de alguma forma as impede de efetivamente se separarem. Será que essa clareza das formas e causas dos meus atos é tão necessária às minhas infantilidades? São tão intrínsecas, a minha infância prolongada e a minha maturidade precoce, quanto a loucura e a sanidade que me conferem?
E todo caos do mundo tem origem assim, em negações que não rejeitam, em oposições que coexistem, nos fatos que não invalidam as ficções com que contamos as histórias de nossas vidas.

@ She Will Be Loved, do Maroon 5 (a.k.a. I See You)

A mesa está cheia de gente falando e gesticulando com uma alegria a qual sou alheia, enquanto ouço algo com um b.p.m. tão alto que todo o resto parece estar em slow motion. Eu ando impaciente e desconfortável, sentindo-me como uma naja durante a troca de pele.
Mudanças estão acontecendo dentro de mim, mas, é tudo muito discreto. Creio ser a caça novamente, apesar dos quase três anos que se passaram. Desta vez em condições perfeitas para caçar, sento e espero. Sei que deveria usar a experiência adquirida em tantos erros para me afastar de todo este dano evitável, mas se os outros vissem o que eu vi... Miragem ou não, certas visões são bonitas demais para se deixar passar.

@ Maroon 5 - She Will Be Loved
@ Pixie Lott - Apologize (Acoustic Live Session Studio)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Canção do Exílio

Dois dias de um absoluto e permissivo lapso de personalidade - ou seria do florescer de uma nova?! É possível, ou melhor, provável, que ele conheça bem melhor o jogo em que agora nos aventuramos. É provável, ou melhor, possível que haja mais manipulação em tudo isso do que o que consigo ver agora. Estou tentando respirar fundo, olhar com os olhos críticos de quem tem muitas feridas, mas confesso não ser o meu natural; ter sentido muita dor não significa, necessariamente, recordar-se dela o suficiente para evitá-la.
Não para mim.
Não nego estar surpresa. Não estou de guarda baixa e ainda assim, sinto-me ligeiramente fora do controle. No que diz respeito a ele, há quase um ar de divertida leviandade entre nós. No que diz respeito às minhas raízes, tudo está um tanto fora do lugar. Faltam-me o ciso e a coragem, para lidar com tais situações. A despeito de meus esforços, o que falta na primeira delas, abunda na outra e vice-versa.
Sinto que acabo de dar um mapa a ele, para que ande com tranquilidade sobre terras que não deveria dominar, mas - sshh! - vou lhe contar um segredo... Em nenhum passo do caminho que traçamos objetiva-se o controle do que nos é extrínseco; apesar de nós a evitarmos, é a nossa intimidade mais desconfortável que devemos explorar.