'Qual é a voz do seu silêncio?' perguntou, sabendo que era uma boa pergunta e que o interessaria. Então, desperguntou. Desperguntou, porque não queria realmente uma resposta, queria atenção e isto ele não lhe daria. Não novamente. Bastara a primeira vez, bastara a última. Não é como se houvessem apenas fodido. Ele a conhecera e preterira. Ele a conhecera e partira.
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Desde então, tudo era sangue e vômito. O sangue que lhe faltava para extrair a coragem e o vômito que parecia morar em seu peito, se misturar com sua alma, que parecia maturar sem pressa, na intenção de que, entranhando, seu cheiro doentio a fizesse enlouquecer afinal.
Mas o afinal nunca vinha.
E sua impaciência cansada parecia apenas estender as fronteiras da loucura não-loucura, prolongar a aceitabilidade de sua insanidade parcialmente funcional.
Igual a quando era criança e ficava horas rodando, rodando, rodando, rodando, rodando... porque gostava de sentir-se tonta, infinitamente tonta e, à beira de um desmaio, deitar-se no chão, cansada, grata, risonha. Só que diferente.
Porque não é mais criança e fica horas matando, matando, matando, matando, matando... porque precisa sentir-se tonta, intoleravelmente tonta e, à beira (só à beira, mesmo), deitar-se no chão, cansada, grata, risonha. Só que morta.
Só que nunca.
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Qualquer tentativa de agora é vã, fútil. Ofenderia mais o orgulho do que a pele. Causaria um tumulto adorável de se ver em slow motion no vídeo, com blur seletivo. Mas não ao vivo e em cores. São efeitos colaterais de um amadorismo incoerente com o tempo e a densidade do que venho trabalhando, o caos deflagrado e o ego doído. Não. Não estou disposta a arriscar. Tudo a seu tempo e meu tempo chega. E eu vou.
Por que não?