terça-feira, 30 de março de 2010

@ Crazy, do The Injured List (a.k.a. Sonhei)

Sonhei. Não esta noite ou outra, mas, a vida inteira, sonhei. Sonhei com o dia em que teria orgulho absoluto de quem sou; saia lápis, tight lacing, o corte certo de cabelo, uma profissão de poder e satisfação solitária de qualquer necessidade ou prazer. Mas, e se esta não for eu? E se eu não puder me orgulhar disto? Do que vou poder me orgulhar?



Interrompemos nossa programação extraordinariamente para comunicar aos leitores que Alexander e o vigilante não mais estão entre nós - provisória ou definitivamente. Em homenagem, deu-se o título ao post. 
                                
 

domingo, 21 de março de 2010

@ Wait, do The Injured List

Acabo de passar por uma sessão nostalgia. Visitei fotologs daquela gente que povoava minhas vagas memórias de Abel, contraditórias e carregadas, como toda memória ruim depois de embaçada pelo tempo.
No campo das lembranças, há alguns de quem sou até capaz de sentir falta, de perguntar a mim mesma carinhosamente sobre como estariam dois anos depois. Há outros à quem nem mesmo as lembranças são misericordiosas, e o desgosto por tê-los um dia apreciado é recorrente. (Desgosto é sutileza poética minha; é nojo, mesmo.)
...But you won't think of me until the sun sets...

Ainda que eu adore me queixar da vida como eu a moldo, não nego o quão bem me sinto ao lembrar deles. É uma questão de analogia e sinceridade, e, fazendo uso de uma analogia sincera, se meu mundo é banhado a líquido amniótico, o dessa gente é imerso em banha de porco, vaselina e loção hidratante Victoria's Secret.
Ou seja, não importa quão bem eles cheirem, a sujeira sempre vai estar lá, oculta pelo dinheiro, pelos sorrisos e por aqueles laços sinceros de amor e amizade.
...You're better than them...

Telegrafias do Campo de Guerra

Ainda não sei como estou. Se disser que estou bem, não é mentira. Nem se disser que estou mal. Parece que um furacão passou pela minha vida enquanto eu estava adormecida pra ela, enquanto ainda estou. De qualquer forma, não vou maldizer um entorpecimento que me é tão confortável.
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Há algum tempo atrás me diziam que o futuro estaria muito a frente. Ao mesmo tempo, falavam com urgência dos muitos preparativos que ele iria solicitar de mim. Agora, sinto que já passei da esquina em que o futuro estava e acho não sei voltar.

sábado, 20 de março de 2010

Tu Doives Entendre...

Je t'aime, petit Renard. Je t'aime, petite Menteuse. Je t'aime, mon Déni parfait.

domingo, 14 de março de 2010

@ Lanterna dos Afogados, do Paralamas do Sucesso

Sorriso; eu sorrio. Podia bem ter sido uma careta, tão mal eu me controlo perto de você, que entorta a boca e as sobrancelhas por uns três segundos, antes desfazer-se em um sorriso de retribuição.
"Sabe... Às vezes acho que você tem medo de mim."
"Por quê?"
"Porque você não me olha nos olhos por muito tempo."
"Ah, é hábito. Eu não costumo encarar as pessoas."
"Na verdade, nem eu. Mas, gosto de olhar pra você."
Sorriso; seu. E pergunta; sua, também.
"Obrigada, mas... Por quê?"
Não respondo de pronto - e nem poderia. Custa-me verbalizar analogias tão íntimas.
"Você já fez apnéia?"
"O que isso tem a ver?!"
"Tudo. Apnéia me deixa em alfa, longe de tudo que me faz sentir presa. Não há felicidade ou tristeza no mar; só há você, a sua essência. Olhar pra você me deixa tão acima de tudo quanto a apnéia."
Dúvida, incerteza, suspeita, cautela - compaixão, talvez. Mas seus olhos me eram incógnitos. Como o mar.
"Acho que sim..."
"Sim?! Sim o quê?"
Cautela, incerteza, suspeita, dúvida - paixão, certamente. E seus olhos ainda me eram incógnitos.
"Acho que sim, devo ter mesmo um pouco de medo de você..."
" ... "
"...Mas Fangoria sempre foi minha revista favorita."

Eu to na Lanterna dos Afogados.
Eu to te esperando; vê se não vai demorar.

Senhoras e Senhores,

Interrompemos nossa programação para anunciar mudanças em nossa grade. Ela não mais deterá a pequena selvagem por trás destes posts. (E isso foi absolutamente não-sexual.)

Sushi Mudo: resignificando interrupções desde 2010.
Just knowing this matters, I just feel stronger and sharper.
Found a box of sharp objects; what a beautiful thing!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Então, Vem Falar de Amor Aqui Fora

Prédifícil, Préfácil  Prefácio -
Ele é só um nome cheio de vogais, como o corpo de seu dono é cheio de vícios e a mente, cheia de estranhezas. Por alguma razão, essa confusão de vogais, vícios e estranhezas me trouxe de volta a um lugar onde não vinha há dois anos, um lugar aonde pensei que só você, Thomas, pudesse me levar.
- E aqui começa o Era uma vez.... -
Faz algum tempo, havia um lugar de matas inexploradas nas quais costumava me perder brincando de um esconde-esconde alheio ao tempo, um lugar onde só as folhas úmidas do chão e você pareciam importar. E, claro!, as suas mãos dadas às minhas. Data daí não o meu primeiro conceito, mas a minha primeira definição de felicidade. Esta última durou suas boas e poucas horas, até que já não era eu quem te fazia feliz. Data daí não a minha última definição, mas o meu último conceito de rejeição.
- E aqui começa o clímax!
As pessoas costumam associar a coisas muito boas a idéia de voar. Em sua maioria, o fazem por não ter experimentado a angustiante sensação que não ter nada sob os pés provoca, depois de algum tempo. Quanto ao lugar das minhas primeiras definições e conceitos, os ares antes temperados tornaram-se congelantes e as imponentes árvores reduziram-se a cinzas diante de uma versão semiânime de mim mesma. Não poderia ou saberia fugir, por desconhecer os caminhos. Sentia-me como se recém-saída de um transe. Tudo o que me restava era a vista antes encoberta pelas árvores: o mar mais negro e mais triste, o cemitério de quatro pessoas. E da quinta, que era eu. Meu epitáfio me aguardava com a falta de avidez dos mortos, mas, consistente; eu era mais sua posse, do que o contrário. E isso é o que por último me lembro daquele lugar, que hoje eu sei... Era dentro de mim.
- Posso te chamar de anticlímax? -
Acordei uns três ou quatro meses, parcialmente consciente, um tanto entorpecida. Explicaram-me depois que um navio à passeio me viu a vagar e fez o resgate. Eis que vi a mim mesma e ao mundo, incomodamente reais ainda que sob o embaçamento forçado e necessário da morfina. Mãe e irmãos oscilando entre o alívio e o receio. Os amigos haviam partido. E o amor? Ficara na ilha, adormecera sob o aquecimento quase maternal da minha lápide. Sentiria falta dele para sempre. Ou seria falta de mim?
Pósdifícil, Pósfácil  Posfácio -
Estou tonta outra vez. Posso distingüir de longe o adeus apreensivo dos novos amigos no porto da sanidade, a ignorância temerosa nos olhos da família. Sinto minha mão ser apertada, um chamado à 'realidade', e tudo clareia outra vez. Reconheço o trajeto, conheço a viagem. Identifico a companhia, agora sob novo nome. Mas as terras em que hoje aporto em nada lembram aquelas em que antes me aventurei, tão inocentemente. É com um vazio saudoso que constato: se aquelas terras estão em ruínas, o mesmo se pode dizer de mim.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Because Anna Is a Girl and She Loves the Denial

Anna is a girl.
Girls love the Denial.
Anna loves the Denial, then.


There's something funny about the Denial. It's got its own kind of beauty, such a private way of being the sweetest answer to all of my latest questions.
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Dead and gone, dead and gone.

segunda-feira, 1 de março de 2010

@ Let It Bleed, do The Used

Olha pra mim. Olha bem nos meus olhos. Eu não sou nem de longe aquilo que você queria ver, não é? Mas uma dia você quis. Quis tocar isso que hoje você rejeita, quis se deitar comigo... Hoje você se faz de morta e ainda assim, se deita. E é engraçado porque as suas palavras eram quase sempre mais sujas que as minhas e você sempre pareceu querer isso mais do que eu. Então, quem não queria, no fim das contas?!
Já não faz diferença. Eu te afastei e você está longe agora.
With my foot on your neck, I finally have you right where I want you.