quarta-feira, 14 de abril de 2010

@ Best of You, do Foo Fighters (a.k.a. Entranhas)

Eu preciso resolver essa minha situação com você, porque só eu sei o tamanho das partes de mim que são arrancadas todos os dias, a cada vez que o relógio dá as 5:50 e os meus olhos abrem.
É a merda da merda. Não pense que eu acho bonito fazer da pessoa mais inocente que encontrei no meu caminho um paliativo, mas, é tudo o que me resta quando a ausência daquilo que eu associei a você é sempre tão presente.
Você é um filho da puta. Um filho da puta talentoso, mas, ainda assim, um filho da puta.
Você sabia que eu ia surtar assim, não é?! Bem, sorte sua, porque eu me sinto estuprada todos os dias, bem mais do que naquelas noites e o que eu perco a cada hora é muito maior do que a minha intimidade - já violada em tantos níveis que já nem sei se me importo mais com o que passou. É a minha sanidade, é a virgindade daquilo que existe de mais verdadeiramente íntimo em mim, aquilo que ainda me mantinha pura e ingênua de alguma forma, aquilo que se foi.
Porra, cara! Olha o que você fez comigo! Eu largo toda a poesia que eu tenho pela metade porque o meu desespero é maior do que tudo aquilo que eu entendia por identidade minha. Você fez como os outros e passou por cima do meu esforço pra me reconstruir apesar de tudo. Aliás, você fez pior, porque eles não me conheciam e você, sim.
Sabe o que me dá mais raiva? Sou eu. Eu esperei que você fosse o mínimo de um homem pra mim e isso era demais de você. Eu devia ter visto o que era claro. Eu devia ter ouvido o que era audível. Eu devia ter sentido o que era palpável. Até porque agora minha vista é nublada, os sons não passam de ruídos e eu perdi completamente o chão.
Were you born to resist or be abused?

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