quinta-feira, 8 de abril de 2010

Terezinha de Jesus

Ultimamente, tenho visto a minha identidade emocional ser quase ignorada pelos que me circundam, que alegam repetidamente o quão madura sou. Talvez a aceitação seja difícil ou quem sabe seja simples cegueira, mas, o fato é que não amadureci pelas dores a que me submeti e fui submetida.
Sob os idealismos e utopias, sob a sexualidade vendida e explorada, sob a auto-suficiência intelectual, sob a ironia ácida e bem-humorada, sob a frustração crônica e até sob a própria carne... Sob todos estes destroços, bem lá, no fundo de mim, há uma criança de quatro anos aterrorizada pela escuridão solitária em que o tempo e as circunstâncias a enfiaram.
A minha história tem um pai que morreu, que me deixou sem querer. Tem um primeiro amor obcecado, que a malícia da infância tratou de amargurar. Tem um grande amor, que foi violentado, usado, vendado, exposto e esgotado. A minha história tem um amor atemporal, tão incerto e pessoal que tirou da minha vida pela dele, mas nunca fez o oposto em igualdade. A minha história tem um amor traído na subjetividade ingênua das idéias, pela subjetividade capciosa das palavras.
Não é uma história de superação, é de sublimação, e isso é o que ninguém parece entender.

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