terça-feira, 6 de abril de 2010

Quizás...

Quão mentirosa eu sou por lhe sorrir todos os dias, forjando pura simpatia quando o que me acomete é o mais perturbador encanto?
E quão inconstante devo lhe parecer pelas caretas que intercalo aos gestos triviais, incutidos de imperceptivel doçura e quase apaixonada admiração?
Quão terminal é o meu estado e o risco que corro; podes me dizer se é de vida ou de morte ou de amor?
Quão comprometida estou com o laço que consciente e involuntariamente ata-me a ti e por que o rejeitas sem nem mesmo sabê-lo?
Quão sinuosas são as curvas dos teus pontos de interrogação - são assim tão floreadas quanto as penso?
E quanto a tuas exclamações, são capazes elas de encher-me os lábios e a garganta, emudecendo-me tanto quanto teus olhos reticentes?
Já nem sei quantas vírgulas pularia ao dizer "te amo" sem esperar o "e viveram felizes para sempre"...
E como urge o desejo de dizer-te que tenho o mundo a oferecer e nada a pedir em troca senão teus ônus e bônus, o todo de ti como és!
Suponho ser tempo de arrancar uma página. Ou quem sabe de reescrever todo um livro.

2 Comentários:

Blogger Ilargi disse...

se você, com suas qualidades e defeitos, se visse no espelho, você se aceitaria? aceitaria a intensidade das suas emoções e dos seus atos com facilidade?

ou seria covarde e procuraria pela coisa mais pífia, pela coisa mais simples, só pela segurança de nunca encarar suas verdades?

porque tem gente que não quer se enxergar.

6 de abril de 2010 às 18:11  
Blogger The batata disse...

Nossa, que lindo Anna!
Queria eu ter a capacidade de escrever assim.

7 de abril de 2010 às 23:26  

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